O Maranhão foi o estado mais afetado por conflitos no campo em 2024, com 420 ocorrências registradas, quase o dobro do número do ano anterior. De acordo com dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado superou outros locais historicamente marcados por tensões no campo, como o Pará e a Bahia. A principal causa dos conflitos é a disputa pela posse da terra, com 363 casos registrados, seguidos por disputas pelo acesso à água e conflitos trabalhistas.
Um dado alarmante é o aumento das contaminações por agrotóxicos, que atingiram o maior número da década no Brasil, com 228 ocorrências no Maranhão. A pulverização aérea indiscriminada tem causado sérios danos à saúde das comunidades tradicionais e ao meio ambiente, provocando destruição de plantações e contaminação da água.
A região do Matopiba, que inclui o Maranhão, vive uma escalada de violência devido ao avanço da monocultura de soja. Municípios como Chapadinha e Timbiras têm sido epicentros de desmatamento, aumento das ameaças de despejo e crescimento da violência no campo. Entre os grupos mais vulneráveis, os quilombolas, que representam a maior população de comunidades quilombolas do país, são os mais afetados, enfrentando processos de titulação de terras e alto risco de invasões e expulsões.




